Vocacionados a Perdoar

2018-08-12---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

Neste mês vocacional, eu gostaria de chamar a atenção para o perdão, um dos sinais de identificação do Cristianismo. Em culturas pré-cristãs, a vingança era louvada como demonstração de poder, autoridade e firmeza pessoal. Chega Jesus com um discurso diferente, pedindo ao Pai perdão para aqueles que o crucificaram e ensinando que só somos perdoados quando perdoamos: “Perdoainos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6,11). Hoje, o arcebispo anglicano Desmond Tutu nos surpreende com esta declaração: “Sem perdão não há futuro”. No passado e no presente, a mesma proposta para o advento da paz.

É difícil perdoar quando se é ferido. A natural reação a uma ofensa é ofender. O ser atingido pelo erro do outro imediatamente responde com agressividade. Uma cobra morde quando é agredida, e a abelha só pica se é espantada. Para muitos a resposta ao ofensor deve ser igual à ofensa. É a lei de talião assim formulada: “Olho por olho, dente por dente” que vigorou por muito tempo, mas é totalmente contrária ao preceito do amor.

Sem determinadas predisposições, o perdão não se efetiva. A primeira virtude que leva o ofendido a perdoar o ofensor é a humildade. Só os corações vazios de orgulho e amor próprio, que se sentem capazes de praticar o mal, conseguem vencer a reação imediata decorrente de uma ofensa. Perdoa com facilidade quem reconhece a sua fraqueza e sabe que “errar é humano”. Por isso Jesus perdoou tanto, ensinando que o perdão nasce do amor e da misericórdia. Só os compassivos, quando esbofeteados na face direita, oferecem a esquerda.

Felizmente o Mestre teve muitos e notáveis seguidores na caminhada da história. Na modernidade, ainda ecoa o mandamento do perdão. Luther King e Nélson Mandela viveram proclamando que não se constrói a paz com o ódio. Mesmo fora do cristianismo encontramos místicos e líderes como Dalay Lama e Gandhi que percorrem o mesmo roteiro, pregando o perdão e a compaixão como armas para promoverem a reconciliação universal.

Perdoar não é esquecer injustiças, motivar a repetição do erro nem alimentar a permissividade. Não é desconhecer a malícia nem acobertar a corrupção e a desonestidade, porém punir sem esquecer que mesmos os maiores pecadores têm a mesma natureza nossa, são filhos do mesmo pai e vocacionados a um mesmo destino: o céu.

Irmãos e irmãs da Paróquia de São Pedro, fiéis leitores do Folha, pensem muito no perdão. Esforcem-se por perdoar. O mundo se estraçalha no rancor; a humanidade está esgotada pelo ódio e retaliação. Que a nossa fraternidade não tenha igual sorte! Saibamos apertar a mão dos que nos fazem algum mal. Perdoem-me das faltas que fragilizaram a nossa amizade. Humilde e fraternalmente, seu pároco.

 

Vocacionados a Perdoar

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