Um Promissor Ano Pastoral

2018-03-12---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

O Espírito Santo preserva a sabedoria da Igreja e jamais permitirá que ela se afogue em águas adversas. Na hora exata Ele projeta a sua luz, e o Povo de Deus encontra um novo atalho. Estamos numa encruzilhada histórica de nuvens tão densas que impedem a humanidade de visualizar com nitidez o cenário mundial. A Igreja também experimenta crises, e não está fácil o seu retorno à fonte que tem Deus como centro. Dentre os seus problemas, percebe-se o esvaziamento do setor católico. Não só numericamente decai, não obstante manter sua hegemonia, como se diluem os valores cristãos numa sociedade tecnicista, relativista e consumista. O comportamento dos cristãos desvia-se da sua derradeira meta: transformar o mundo em Reino de Deus. Nesse contexto de muita preocupação, mas pouco entusiasmo, Roma lança uma proposta para reanimar as forças adormecidas da militância da Igreja: o Ano do Laicato. É um pedido de socorro encadernado num projeto que visa à maior concentração da Igreja católica: os leigos.

Por muito tempo o laicato foi uma reserva pouco aproveitada, sem consciência da sua importância e da sua missão. Muitas portas de ação lhe eram fechadas, e os leigos se acomodavam numa espiritualidade de participação sacramental e de obras sociais. No século passado, a Ação Católica despertou o leigo para o seu valor e o seu espaço na Igreja. Entretanto, recentemente, as condições do mundo não favoreceram o ardor apostólico, e uma nova calmaria se instalou entre os seguidores de Jesus. As ideologias do anti-Reino agiram com rapidez e mergulharam os fiéis católicos na indiferença total à sua fé e responsabilidade histórica. É verdade que ainda existem paróquias de boa organização e ação, assim como grupos de oração e reflexão porosos à dinâmica do Espírito Santo, embora, às vezes, prisioneiros de uma espiritualidade intimista. Nem sempre estão acordados para os perigos de uma sociedade que se centralizou no dinheiro, no prazer e no poder. Como verdadeiros ídolos, dominadores das culturas, desviam a humanidade de outros interesses e expectativas além dos bens temporais.

O ano do laicato é um raio de esperança que surge no céu da Igreja, desafiada a motivar os católicos para uma ação apostólica adequada aos sinais do tempo. Que ele atinja a meta de acordar a população cristã para a sua participação na história da salvação. É urgente o cristão, apenas envolvido com as solicitações do mundo, sentir-se convocado a ser o sal da terra e a luz do mundo, a força transformadora de uma civilização que precisa reencontrar-se na oração e no apostolado.

Reforçando os objetivos do Ano do Laicato, lembro são João Paulo II: “A evangelização do continente não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos”. Espero que você, paroquiano, paroquiana e leitor do Folha, engaje-se corajosamente nessa promissora proposta da Igreja. Com minha bênção de pároco, acompanho-lhe na realização das suas tarefas pastorais.

 

Padre Aderbal Galvão de Sousa

 

 

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