Sínodo para a Pan-Amazônia

2019-10-16---Blog---Texto-Zelia-capa

Acolhendo o desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina e ouvindo a voz de muitos pastores e fiéis de várias partes do mundo, em 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco convocou para outubro de 2019 uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica, a ser realizado no Vaticano entre os dias 6 e 27 de outubro próximo com o tema: ‘Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral’. A Pan-Amazônia, reconhecida no mundo inteiro como uma das maiores reservas de diversidade cultural e biológica do mundo, envolve os países que têm a floresta amazônica em seu território: Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname.

A palavra Sínodo vem do grego syn (que significa ‘juntos’) e hodos (que significa ‘caminho’) e expressa a ideia de ‘caminhar juntos’. Trata-se de um encontro religioso em que alguns bispos trocam informações e compartilham experiências com a finalidade de ajudar o Sumo Pontífice no governo da Igreja universal O objetivo do Sínodo – que é inteiramente pastoral e foge a qualquer especulação político partidária – é “identificar novos caminhos para a evangelização dos povos amazônicos, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, e também tendo em  vista a crise da   Floresta Amazônica, pulmão de suma importância para nosso planeta”. O Sínodo quer ouvir a voz dos povos amazônicos, escutar o grito da floresta e, de modo especial, as lutas, sonhos e esperanças dos povos indígenas.

Para o cristão, evangelizar não é opção, mas obrigação: “Então Jesus disse-lhes: ‘Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade’” (Mc 16,15). Esse encontro nasce da consciência de que a missão de levar o Evangelho à porção do povo que vive na região amazônica é urgente e intransferível, assim como, diante da  crise ecológica e ambiental que vem agredindo nosso planeta, pondo em risco a sobrevivência humana, é dever do cristão zelar e preservar a criação, vez que foi esta a ordem que Deus deu à humanidade, após havê-la criado e completado Sua obra: “Crescei, multiplicai-vos, enchei a terra e  submetei-a, dominai os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem sobre a terra”. É lamentável que os únicos seres criados semelhantes a Deus hajam interpretado esse domínio não como um ‘dom’, um presente valioso, mas como algo que pudesse ser violentado e destruído.

Porque – não me canso de repetir – a criação é obra de Deus e a Ele pertence; porque ela foi colocada sob o cuidado e domínio do ser humano; porque a raça humana é a maior responsável pela crise ambiental que está pondo em risco nossa casa; e, finalmente, porque sendo uma das dimensões da fé cristã a relação com o mundo, a Igreja não pode ficar em silêncio, não tem o direito de tapar os ouvidos para não ouvir o grito de socorro dos habitantes da floresta, nem de fechar os olhos ante as queimadas e desmatamento que trazem no seu rastro, entre as inumeráveis consequências trágicas, o aquecimento global, a morte de incontáveis seres vivos (muitos deles ameaçados de extinção) e o genocídio de grupos indígenas, nossos irmãos e primeiros donos dessa imensa floresta. Em 1500, eram um milhão e quinhentos mil índios. Segundo o último censo realizado pelo IBGE em 2010, existiam cerca de 306 mil índios na Amazônia. Embora muitos deles vivam hoje na região rural e permaneçam fiéis às tradições de seus antepassados com seus rituais, danças, crenças e costumes, há notícia de tribos que vivem isoladas e nunca tiveram qualquer contato com o ‘homem branco’.

Ante as ameaças que pairam sobre a Pan-amazônia – terra abençoada saída do pensamento e coração do Pai –, cabe a nós, pedras vivas dessa Igreja Viva, descruzar os braços e procurar Conhecer, Reconhecer, Conviver e Defender a Amazônia. Conhecer a riqueza do seu bioma (conjunto dos seres vivos existentes na região) e a beleza cultural de seus habitantes; Reconhecer as lutas que os povos amazônicos vêm enfrentando há séculos contra projetos motivados pela ambição do lucro desmedido, em meio a assassinatos, desmatamento e destruição da floresta e dos seus recursos naturais; Aprender com seus habitantes o jeito peculiar de Conviver, compartilhando os recursos de uso coletivo; Defender a floresta  da  cobiça e exploração interna e externa de empresas, pessoas e grupos ávidos de lucro através da implantação de atividades estranhas aos primeiros  donos da terra.

A Amazônia, o pulmão verde do Planeta Terra está doente. Se não a tratarmos a tempo, a pneumonia pode ser fatal.  Oremos – porque tudo que faz realmente sentido começa com a Oração – para que esse grande evento eclesial que é o Sínodo possa contribuir decisivamente para a libertação e salvação da Amazônia. Tudo, sob as bênçãos e proteção da Mãe e Padroeira da América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe.

Zélia Vianna

 

Sínodo para a Pan-Amazônia

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