Sempre na Vanguarda!

2019-02-14---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

Este é o lugar da Igreja: sempre na vanguarda. Não para aparecer, mostrar-se importante ou se orgulhar do seu prestígio universal. A linha de frente é um imperativo decorrente da sua missão de protagonista do Reino de Deus no mundo. Depois da ressurreição, quando Jesus vitorioso retornou ao céu, deixou-a aqui para comunicar os seus ensinamentos a todas as pessoas e conduzi-las na estrada da verdade e do amor. Até o fim do tempo ela deve permanecer como o sinal da salvação em meio aos erros humanos e aos equívocos da sociedade. Ele providenciou para sua Igreja os recursos indispensáveis ao cumprimento dessa tarefa. E logo após ter-se afastado da terra historicamente, enviou o seu Espírito para que as pessoas compreendessem melhor sua Palavra e soletrassem sua cartilha.

Porque “a graça não suprime a natureza”, como sublinhou São Tomás, os cristãos precisam até hoje de virtudes especiais nas horas sombrias da história a fim de superar as tentativas do maligno. Diante das generosas dádivas divinas, a Igreja não pode abandonar a linha de frente, instalar-se na proteção maior da retaguarda, entregando aos adversários vantagens que só ela possui. Na dinâmica da redenção, a sua posição é de liderança e decisões comprometedoras, assim como de prudência e paciência. Diante de tanta responsabilidade, o Povo de Deus não deve agir despreparado, carecendo, sobretudo, de atualização, o que São João XXIII denominou “aggiornamento”. Só marchando no compasso do tempo, a voz da Igreja será escutada e atendida.

Atualizar-se é vestir-se com as cores da realidade para aumentar o número dos batizados. Apesar de eterna, a Igreja tem a sua permanente novidade, traduzida em iniciativas e gestos que surpreendem o ser humano. Ela conserva a frescura da juventude, não obstante ser milenar sua verdade e essencialmente a mesma para as pessoas de todas as eras. A diferença se encontra na compreensão dos sinais dos tempos que fazem da história não um monumento de pedra estático e concluído, porém uma multidão “em saída”, viva, dinâmica e criativa. As civilizações não são construções definitivas, mas um vir-a-ser continuado, cuja realização perfeita está no último dia.

Lamentamos os erros dos nossos dias, jogando a culpa sempre para os outros, sobretudo para os dirigentes. Quando o governo muda, desejamos que a realidade mude com a alternância do poder. E nós, onde ficamos? Sentados nas arquibancadas, vaiando ou aplaudindo os jogadores? É uma posição fácil, mas não é a correta. O Brasil não é somente o presidente, os governadores e demais autoridades. É o povo, as elites e as periferias, todos colocando o seu tijolo no projeto histórico.

Espero que entre esses estejam nossos paroquianos, paroquianas e leitores do Folha. Somos todos convocados a preparar um país de igualdade e solidariedade que faça seu povo feliz e, com seu desenvolvimento, contribua para a paz universal.

Padre Aderbal Galvão de Sousa

Sempre na Vanguarda!

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