Participação e Fraternidade

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Lançada na Quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade 2019 (CF/2019) é inspirada no tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e estimulada pelo lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Entretanto, é necesssário fazê-la manchete durante todo este ano até a próxima Campanha, através de continuadas referências a ela, aprofundamento do seu conteúdo e realização de gestos concretos. Quem acompanha anualmente, desde 1964, essa iniciativa (“Igreja em renovação”, “Lembre-se: você também é Igreja”) percebe que, ao lado da meta maior, que é a vivência da fraternidade, ela insiste no engajamento do cristão no mundo político e social.

Iniciada em plena realização do Concilio Vaticano II, ela nasce bafejada pela mesma esperança de São João XXIII: fazer da Igreja de Jesus Cristo uma viva comunidade de fé, inserida no mundo e renovada (aggiornamento – palavra-chave do Concílio) pela força do Espírito Santo. Diante do amplo horizonte do maior evento eclesial do século XX, a CF no Brasil caminhou sempre numa linha de abertura ao mundo e compromisso com as realidades temporais. Nesse ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se mostra corajosa e ousada ao propor as políticas públicas como assunto para incentivar a fraternidade. E, a fim de atingir esse objetivo, o texto-base da CF destaca a participação política como testemunho de fé madura e cidadania plena.

Nada faz na vida de útil quem fica na janela, “vendo a banda passar”. O homem não veio ao mundo para permanecer sentado. Deus lhe providenciou duas pernas para andar e duas mãos para agir. Só usando esses membros, ele cumpre sua missão histórica e religiosa. A participação social e política, portanto, deve incluir-se na agenda de um autêntico seguidor de Jesus. O cristão estático e que, com seus carismas, não participa da história é uma escultura muito perfeita, mas que não se move porque não tem vida.

Eis o que nos diz o texto-base, no n.º 208: “Reconhecer que somos filhos e filhas de Deus e que fomos criados para cuidar de sua obra, é o primeiro modo de participação que o cristão, cidadão do mundo e do Evangelho, deve exercitar na sociedade. Quando ele acontece nas dimensões pessoais, eclesiológicas e sociais, não só fortalece a democracia, como também transforma a prática em ações coletivas e fraternas e, consequentemente, em resolução de problemas”. Um pouco adiante, n.º 214, lê-se: “A efetiva transformação da sociedade só é possível se as pessoas se tornarem sujeitos da história”.

Seguindo a insuperável metodologia pastoral do Ver, Julgar e Agir, fruto da Ação Católica no mundo, a CF/2019 pode ajudar às necessárias mudanças exigidas pela realidade brasileira. Como numerosos problemas atuais do Brasil são políticos, o momento pede que a Igreja se mobilize nessa direção, preparando jovens e adultos para serem, no seu meio e com suas possibilidades, uma presença do Senhor Jesus que, apesar de não se filiar a nenhum grupo ou partido político, sempre se interessou pelas causas públicas.

Com minhas orações de pároco, abençoo todos e convoco-os a participarem da CF/2019, ao tempo em que lhes desejo uma Feliz e Santa Páscoa!

Pe Aderbal Galvão

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