O Serviço de Maria

2019-10-29---Blog---Texto-Yvette-capa

Os evangelhos são econômicos em referências a Maria. É até estranho, mas o Espírito Santo, o verdadeiro autor bíblico, teve suas razões, talvez até para estimular cada dia mais nossas investigações sobre a maior criatura humana. Todas as virtudes coroam a personalidade mariana. Umas, porém, nos chamam mais a atenção e nos motivam a segui-las com mais empenho. Por exemplo, o espírito de serviço é impressionante na vida de Nossa Senhora. É muito edificante a atitude de Maria quando o anjo comunicou que ela tinha sido escolhida para mãe do Messias. Ela não se apressa em contar a ninguém o privilégio que lhe fora concedido; não convocou suas amigas para desabafar tamanha alegria. Que fez? Foi às pressas à casa da prima Isabel que também foi cumulada com a benção de conceber João Batista em idade avançada. E aí passou três meses, servindo à parenta que carecia de assistência.

E que jeito de servir tão discreto era o seu! No milagre de Caná que ela motivou, não há nenhuma cena que chamasse a atenção dos presentes. O próprio mestre-sala indaga a origem do vinho tão saboroso servido no fim quando se oferece o melhor inicialmente. Sabemos que a Virgem foi a melhor aluna de Jesus que valoriza o serviço com esta confissão: “… o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e dar a sua vida, como resgate, em favor de muitos” (Mt 20, 28).   A história se faz com o serviço dos homens. É com ele que a humanidade está construindo o oitavo dia.

Não é fácil servir no momento atual, numa cultura impregnada de individualismo como a nossa. Lamentavelmente as atitudes humanas hoje respiram interesses pessoais. Um operário não imagina que ele está servindo, quando é cuidadoso na colocação dos tijolos de uma parede nem o funcionário público ao fazer bem a tarefa que lhe cabe. Será que um professor vê serviço numa aula bem preparada e apresentada conforme as normas de uma eficiente metodologia? É, válido refletirmos sobre o serviço no seu sentido mais amplo. Servir não é apenas dedicar algumas horas a pessoas carentes de ajuda ou trabalhar num chá de caridade. O espirito de serviço pode ser registrado em todos os atos humanos, desde a mãe que embala o filho doente, até o presidente da república ao assinar seus decretos. Serve o cientista no seu laboratório, como o vendedor ambulante, oferecendo-nos sua mercadoria. O que define o gesto de serviço é o desejo de contribuir para o bem do irmão e da comunidade. Servimos com atos de generosidade; servimos porque gostamos daquela pessoa, mas servimos principalmente quando temos consciência de que nossa ação beneficia alguém, perto ou longe de nós.

Yvette Amaral

 

 

 

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