O Reino e o Anti-Reino

2018-11-12---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

Sob várias denominações é chamada a vida que virá no fim do tempo: céu, Casa do Pai, Reino de Deus, Reino messiânico etc.. A multiplicidade de nomes existe porque o ser humano temporal tem dificuldade de compreender o que seja uma vida eterna. Para isso partimos de três ideias: mundo, Igreja e Reino.

Deus criou o mundo com uma meta: construir uma sociedade perfeita que funcionasse em plena harmonia – todos viviam bem, relacionavam-se como irmãos, respeitavam-se uns aos outros, preservando sua dignidade e respeitando a dignidade do outro, cultuando a liberdade dentro do limite dos direitos e deveres da pessoa. Não havia ódio, provocações nem disputas, acobertados todos pela bandeira da igualdade. Assim seria o mundo, terreno fértil para as sementes do Reino, futuro espaço de amor, justiça e paz. Infelizmente, o ser humano, a quem Deus confiou a administração do mundo, abusou da sua liberdade e espalhou na terra os germes do mal. Deu origem ao anti-Reino em que dominam todos os vícios. Nele, porém, formou-se um grupo – a Igreja – com a missão de transformar o anti-Reino em Reino de Deus. O Reino é, portanto, a realização perfeita do plano de Deus, a transformação do mundo na era anunciada por Jesus e realizada pelos seus seguidores. É um sonho plantado no coração do ser humano que será, nesta terra, mais ou menos feliz conforme seja sua vida sinais do Reino ou do anti-Reino.

Tal realidade já existe entre nós, manifestada nas pessoas boas que obedeceram ao preceito do amor: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Cada sinal desses valores é uma antecipação do Reino pleno em que será transformado o mundo. Da mesma forma, a insistência nos erros retarda a realização plena do Reino messiânico. Se Jesus trouxe para o mundo a novidade do Reino, nós, cristãos, apresentamos essa novidade aos nossos irmãos, tendo como instrumento nossas palavras e testemunhos.

Configurar o Reino no mundo do nosso tempo é a mais urgente tarefa do cristão. Vivemos uma realidade social, política e econômica muito distante das coordenadas que Jesus traçou para a humanidade. Todos os seus comportamentos foram revestidos pela manta imaculada do amor do Pai, pelas cores variadas da justiça e pela força invencível da santidade, logotipos inconfundíveis do Reino de Deus.

Entretanto, a pureza da obra divina está prejudicada pelos estereótipos do egoísmo humano. Num cenário que deveria ser de família, acontecem cenas incompatíveis com a fraternidade e a dignidade humanas. Enquanto uma minoria de pessoas e grupos conseguem imensos privilégios, multidões se abrigam no submundo da miséria, sem sonhos, projetos e direitos. Uma cruel inversão de valores aprisiona a justiça e a solidariedade, transformando a caminhada de muitos numa via sacra sem esperança de ressurreição. Quando despontará a madrugada de um novo dia, anunciado pelos clarins da paz? Quando ajustarmos nossos passos ao ritmo da fraternidade universal.

Neste mês em que celebramos a Festa de Cristo, Rei e Senhor do Universo, termina para nós o Ano do Laicato, mas continua a missão de todos os cristãos, que é tornar cada dia mais visível o Reino de Deus. Nesse espírito abraço todos vocês, fraternalmente.

O Reino e o Anti-Reino

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