O Leigo e o Seguimento de Jesus

2018-11-15---Blog---Texto-Zelia

 

O fato de o tema do seguimento de Jesus estar presente em todos os evangelhos demonstra a sua importância. Certo dia Ele disse aos seus discípulos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga” (Mc 8,34).

 

Possivelmente já ouvimos de alguém essa palavra: ‘Essa é a minha cruz que tenho que carregar’. Não poucas vezes a Cruz é entendida como uma doença física, um trabalho desgastante, um relacionamento difícil, ou seja, como um fardo pesado que as pessoas devem arrastar pelo resto de suas vidas. No tempo de Jesus não era assim. A Cruz era sinal de humilhação e maldição: Maldito o que pende do madeiro (Cf. Dt 21,23). Quem a carregava era alvo da ira e zombaria do povo, vez que os romanos obrigavam os criminosos – e foi como um criminoso que Jesus foi condenado – a levar para o local da crucificação o instrumento da própria morte. No entanto, a mais de dois mil anos, desde que Cristo abraçou a cruz e a banhou com Seu sangue redentor, ela passou a ser para os cristãos a expressão maior do perdão e do amor de Deus.

 

Maiores ou menores, mais leves ou mais pesadas, não existe ser humano sem cruz. Alguns a renegam, mas há os que a carregam sem reclamar. O texto de Marcos é claro: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo…” Isso significa que não é suficiente tomar a cruz, mas abraçá-la com alegria e com a renúncia de si mesmo. Essa renúncia à qual Jesus nos convida não pode ser erroneamente entendida como não se amar, sucumbir à baixa estima e até se mutilar. Renunciar a si mesmo é algo bem maior. É rejeitar o ódio para dar lugar ao perdão; é dizer não aos seus mais caros sonhos para assumir os sonhos de Deus; é abdicar da própria vontade para realizar a vontade do Pai; é não ceder ao egoísmo, mas se voltar para o outro; é reconhecer-se não como o centro da vida, mas como alguém desejoso de viver em comunhão.  Renunciar a si mesmo é não buscar na cruz qualquer tipo de glória, mas procurar tornar-se cada vez mais semelhante a Jesus na entrega de si mesmo aos outros; é fugir da tentação de querer ser deus e aceitar ser limitado e dependente d´Aquele que o criou. Renunciar a si mesmo é humanar-se.

 

Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10,10). Essa vida em plenitude prometida por Jesus é a que todos nós buscamos, mesmo sem, às vezes, ter consciência disso. Para caminhar em direção a essa vida precisamos tomar nossa cruz e crucificar nela nossas vontades e interesses desregrados, nossa vaidade e autossuficiência, nosso desejo insaciável de possuir dinheiro, prestígio e poder, tudo enfim que nos desumaniza.

 

Em seu evangelho, Marcos escreve que, depois do convite para tomar a cruz, Jesus acrescenta: “Pois quem quiser salvar sua vida vai perdê-la, mas quem perder sua vida por causa de mim e do evangelho vai salvá-la” (Mc 8,35). O caminho, portanto, para viver a vida nova que Jesus promete passa inevitavelmente pelo caminho da cruz.

 

“…Tome sua cruz e me siga” São muitas as pessoas que com seu exemplo de vida nos ajudam e nos incentivam na caminhada da fé. Mas Jesus é o único modelo perfeito e por isso o único a ser realmente seguido.

 

Neste tempo em que a Igreja no Brasil encerra o Ano Nacional do Laicato, peçamos a Maria, nossa mãe e a primeira missionária, que nos empreste sua coragem a fim de que não tenhamos medo de proclamar com destemor e alegria a mensagem libertadora do Evangelho, Diante da crucial situação vivida atualmente pelo povo brasileiro, nós, leigos e leigas, não podemos lavar as mãos nem vestir a túnica de Pilatos. Não temos o direito de aplaudir uma sociedade onde uma pessoa – qualquer pessoa – seja torturada e crucificada em nome da nossa omissão.

 

É urgente que a fé que proclamamos com a boca se transforme em gestos de libertação e salvação. Por isso o lugar do Laicato não é na arquibancada, porém na arena, onde a luta entre o Bem e o Mal acontece, onde o anti-reino, qual leão faminto e enfurecido, investe contra a Igreja e os valores do Reino, contra os que assumem a luta pela integridade da família e a defesa da vida desde sua concepção até seu fim natural.

 

O Ano Nacional do Laicato chega ao seu final, mas nossa missão de leigos e leigas comprometidos com a construção de um mundo onde “a justiça e a Paz se abraçam” (Sl 85,11) continua. Ela só termina quando formos chamados para receber como herança o Reino que o Pai preparou para nós desde a criação do mundo (Mt 25,14).

O Leigo e o Seguimento de Jesus

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