O Espírito Opera a Unidade

2018-05-12---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

A unidade foi o grande anseio de Jesus em relação à Igreja. Depois da ceia em que instituiu a Eucaristia, Jesus dirige aos apóstolos palavras que são o seu testamento espiritual para eles e todos os seus seguidores que vieram depois. Nesse documento estão guardados magníficos ensinamentos, expressão do seu amor ao Pai e aos homens. Naquele momento emocionante, pouco antes da sua crucifixão e morte, o desejo do Filho é um apelo aos cristãos para viverem em harmonia. Para isto mandará o Espirito Santo, o grande sinal de que eles devem ter “um só coração e uma só alma” (At 4,32). O novo Povo de Deus, que é a Igreja, precisa viver em sintonia, fortalecendo sempre a unidade que há de superar todas as divisões enquanto ele peregrinar pelo mundo.

Uma das teclas mais digitadas nos discursos do Papa Francisco é exatamente a unidade entre os cristãos. O ecumenismo é meta do seu pontificado e a grande prova de que a Igreja deseja vencer a desunião. Não é possível que o Sangue derramado em favor da reconciliação universal se dissolva na terra estéril dos desentendimentos e das separações. O Papa Francisco não perde de vista esse objetivo e chega a se pronunciar assim: “Fazer a unidade da Igreja é construí-la: esta é a tarefa de todo cristão, de cada um de nós”. Tem sido insistente a sua pregação sobre a urgência de lutarmos animados pela profecia de Jesus, antecipando que, no fim, “haverá um só rebanho e um só Pastor” (Jo 17,2).

É lamentável, mas é verdade, que a humanidade caminha na contramão dessa proposta. Os países, as comunidades, os próprios cristãos se esquecem de que o amor é a síntese da pedagogia do Mestre, e que dos seus lábios saiu esta súplica ardente: “… que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17,21). As nossas divisões ferem o Corpo de Cristo já tão massacrado pela fúria dos judeus. Como ponto de união entre o Pai e nós, Ele nos prepara para essa tarefa, reconhecendo que tal missão é ação do Espirito Santo, “o único capaz de fazer a unidade na diversidade dos povos, das culturas, das pessoas”. Estimula esse dever, convocando: “Vamos para ela! Mas com a força que nos dá a oração de Jesus pela unidade; com a docilidade do Espirito Santo, que é capaz de fazer de tijolos pedras vivas; e com a esperança de encontrar o Senhor que nos chamou”.

Além de nos apontar o protagonista da unidade: o Espírito Santo, ele nos mostra o trajeto a ser feito para desaguarmos no coração do Pai. “Só caminhando pela trilha da humildade, doçura e magnanimidade, apoiando-nos uns aos outros, chegamos lá”. O apoio recíproco é indispensável porque na estrada da mansão celeste ninguém anda isoladamente.

Além do desejo de que a Páscoa encha o coração de todos vocês, faço-lhes um pedido: apertemos os laços da fé e da amizade para assumir, diante do Senhor ressuscitado, o compromisso de sermos, na família, no trabalho, na sociedade e na Igreja, sementes de unidade que geram harmonia e paz.

Nesse mês dedicado a Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, quero agradecer ao Senhor pelos 35 anos da minha caminhada sacerdotal, colocando-me inteiramente sob a proteção de Nossa Senhora.

Um abraço fraterno a você, leitor, e aos paroquianos de São Pedro.

Pe Aderbal Galvão

O Espírito Opera a Unidade

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