Maria, a Mulher da Bênção e da Aliança

2019-05-12---Blog---Texto-Zelia-capa

Duas palavras são constantes na Bíblia e são realidades inseparáveis: Aliança e Bênção. A Aliança é sempre abençoadora porque toda Aliança com Deus traz sempre a totalidade de suas bênçãos.

Até para muitos de nós, que nos dizemos cristãos, a bênção ainda é vista apenas como uma forma de invocar o apoio e a graça de Deus para o nosso bem-estar ou da pessoa que abençoamos e, não raras vezes, é praticada de modo mecânico e rotineiro. Abençoar não é simplesmente desejar o bem a alguém ou fazer o sinal da cruz sobre ele. Tudo isso é muito bom, porém, abençoar é bem mais que isso. Para o povo do Velho Testamento, a bênção estava condicionada ao cumprimento da Lei Mosaica e relacionada aos bens terrenos: segurança, poder, riqueza, grande descendência. Entretanto, ela ultrapassa as coisas materiais porque não faz parte do universo do ter, mas do ser, não depende da ação do homem, mas de Deus.

Quando falamos em aliança, imaginamos logo um acordo em que ambas as partes discutem as condições de um contrato e assumem os direitos e deveres decorrentes desse acordo. No sentido bíblico, Aliança não é um simples contrato porque a base da Aliança é a comunhão com Deus. Aliança é um compromisso de amor que une o homem a Deus. Diferentemente, porém, de um simples acordo entre pessoas ou povos, onde as partes são iguais, cabe a Deus estabelecer as condições da Aliança porque  Ele é maior que o homem.

Quando Deus criou a humanidade representada pelo casal Adão e Eva, abençoou-os e firmou com eles um pacto de amor e fidelidade. A única condição imposta para gozarem eternamente da amizade e presença de Deus era não comer do fruto da Árvore  do Bem e do Mal, símbolo da possibilidade de um conhecimento potencialmente ilimitado. Usando uma linguagem fabulosa, o autor do Gênesis conta que, ao cederem à tentação e tentarem se apropriar de algo que só pertence a Deus (Onisciência), nossos primeiros pais rejeitaram a condição de criaturas dependentes de Deus e quiseram ser iguais a Ele. Com esse pecado (original = na origem da humanidade), a Aliança foi rompida, a humanidade perdeu a filiação divina e foi expulsa do Paraíso. Mas Deus, que na sua infinita misericórdia nunca se cansa de perdoar, promete o Redentor: “Porei inimizade – diz ele à serpente – entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela. Esta lhe ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar (Gn 3,15).

A História da Salvação é a história desse Deus rico em misericórdia, buscando o ser humano para viver em comunhão com Ele, e da humanidade sendo infiel, dando as costas para Deus e desprezando suas bênçãos.

 O Primeiro Testamento narra com detalhes as Alianças celebradas entre Deus e a humanidade, tendo sempre como mediadores homens escolhidos no meio do povo (Adão, Noé, Abraão, Moisés…). Depois de várias Alianças e todas elas quebradas pelo povo, chegado o tempo estabelecido por Deus, Ele propõe uma nova Aliança. É a última e definitiva, impossível de ser desfeita porque o mediador escolhido é o seu próprio Filho, o Redentor prometido.

Mas, para que o Filho pudesse se tornar também homem e nosso Salvador, era preciso que fosse concebido por uma mulher. A mulher escolhida foi Maria. Ela não é o cumprimento da promessa, mas é a porta através da qual o Redentor prometido entra no mundo. Nela, o Filho de Deus assume nossa humanidade, faz-se um de nós, nosso irmão, reconcilia-nos com Deus e n´Ele nos tornamos filhos adotivos do Pai.

A maior bênção, pois, que o ser  humano pode receber tem tudo a ver com Maria porque está relacionada com o Mistério da Encarnação. O Sim dado por ela ao Arcanjo Gabriel  foi determinante para dar início à NOVA E ETERNA ALIANÇA  e  inundar  o mundo com a  totalidade das bênçãos de Deus.

Maria, a Mulher da Bênção e da Aliança, Mãe de Deus e nossa Mãe, é merecedora de todas as homenagens que lhe possamos prestar no mês de maio a ela dedicado pela devoção popular, porque ela é de uma forma única e especial abençoada entre todas as mulheres da terra. E quem muito antes do povo proclamou isso foi o próprio Espírito Santo, quando falou pela boca de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres  e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42-42).

Zélia Vianna

Maria, a Mulher da Bênção e da Aliança

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