JULHO: Mês do Dízimo

2018-07-12---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

Durante muito tempo, o dízimo ficou esquecido na Igreja católica, embora o 5.º mandamento da Igreja (“Pagar dízimos e primícias”) inclua a sua prática entre as obrigações cristãs. A generosidade, a ajuda material sempre foram gestos eclesiais e do Povo de Deus.  Nesses milênios de cristianismo, foram muitos os tipos de assistência social desenvolvidos pelo catolicismo. É vasta a folha de serviço da Igreja católica para diminuir o sofrimento dos pobres. Quantas congregações religiosas, obras e institutos seculares foram criados com a finalidade de solidariedade e partilha, apesar de nem sempre ser atendida a necessidade da promoção e libertação dos pequenos e injustiçados. A capa do assistencialismo minimizou a ação cristã entre os preferidos de Jesus que, se receberam contribuições materiais, foram pouco libertados das amarras da mendicância.

O dízimo vem de milênios, conhecido na história bem remota de Israel. No judaísmo, foi um dever rigoroso que, no cristianismo, foi purificado na fonte do amor universal. Não se trata mais de uma obrigação imposta por um código, porém, da fraternidade, marca da alma cristã. O dízimo é um sinal de pertença e uma prova de justiça. Se Jesus nos resgatou o direito de chamá-lo de Pai, oferecendo-nos a salvação; se de fato somos seus filhos, por que recusar um gesto concreto que assinale a nossa filiação divina com todos os compromissos que se originam dela?

Entretanto, de muita prudência e cautela deve revestir-se a devolução do dízimo para que não se torne um costume lesivo ao próprio espírito da Igreja. Se de Deus recebemos tudo, tudo lhe devemos devolver mediante comportamentos de gratidão. Lamentavelmente, o dízimo tem sido, às vezes, desvirtuado no seu uso. Nada mais nocivo que vinculá-lo a benefícios ganhos por dizimistas. Com ele não compramos bênçãos, agradecemos as que já nos foram oferecidas. Também não é eclesial acrescentar ao dízimo uma dimensão de obrigação. A sua origem deve ser o coração magnânimo que só se relaciona com Deus e os irmãos conforme as iniciativas do amor e da liberdade. Ele já se encontra como prescrição da Torá no Antigo Testamento. Na Nova Aliança, contudo, devolve-se o dízimo porque o cristão se sente responsável pela Igreja, por seus problemas e suas necessidades. Com o dízimo colaboramos com os gastos do culto, a manutenção do clero e os próprios custos da pastoral.

Aproveito a oportunidade para agradecer aos paroquianos de São Pedro a devolução do seu dízimo, que nos dá a possibilidade de aplicá-lo nas dimensões religiosa, missionária e social. Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria” (2 Cor 9,7).

Nesse espírito, abraço-os fraternalmente.

 

Pe Aderbal Galvão

JULHO: Mês do Dízimo

Deixe uma resposta