Ano Nacional do Laicato

2018-02-15---Blog---Texto-Zelia-capa

Com o intuito de celebrar os 30 anos da realização do Sínodo Ordinário sobre os Leigos (1987) e da Exortação Apostólica sobre a Missão e Vocação dos Leigos na Igreja e no Mundo (1988), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu o Ano Nacional do Laicato, que teve início em 26 de novembro de 2017 e tem o término previsto para o dia da Festa de Cristo Rei em 2018. O tema escolhido pela CNBB foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em saída” a serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5, 13-14). Celebrar a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil, aprofundar sua identidade, vocação, espiritualidade e missão, testemunhando Jesus Cristo e seu Reino na sociedade, como autênticos discípulos missionários, é o objetivo geral do Ano Nacional do Laicato.

“Vocês serão meu povo e eu serei o Deus de vocês” (Jr 30,22). Todos nós, homens e mulheres, sem distinção de raça, credo ou cor, somos povo de Deus, criados que fomos à sua imagem e semelhança.  Em sua primeira Carta, São Pedro refere-se a essa honraria que nos foi dada gratuitamente, com as seguintes palavras: “Vós, porém, sois raça eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (Cf. 1Pedro 2,9).

A palavra Laicato diz respeito ao conjunto de leigos na sua relação com a Igreja. O nome leigo vem do grego “laos” que quer dizer povo. Apesar da palavra leigo ser usada também para significar pessoa com pouco ou nenhum conhecimento sobre determinado assunto, no campo eclesial o vocábulo leigo refere-se ao batizado bem informado e que, embora não fazendo parte do Clero, porque não recebeu o ministério ordenado (conferido aos diáconos, presbíteros e bispos), estuda e procura aprofundar-se cada vez mais na Doutrina Católica e participa ativamente das atividades da Igreja. Aqueles que através do Batismo acolhem esse chamado, são libertados do pecado, celebram a experiência de em Jesus serem filhos adotivos do Pai, tornam-se membros da grande família de Deus na terra, que é a Igreja, e participantes de sua missão de anunciar o Reino de Deus.

Todos somos povo de Deus, todos somos chamados a fazer parte dessa nação santa. É importante não esquecer que o Clero também faz parte do povo de Deus, vez que é formado por leigos que assumiram a missão de orientar, ensinar e conduzir o Laicato pelos caminhos do Evangelho.

Com o Concílio Vaticano II realizado há pouco mais de 50 anos, e comprovada a necessidade urgente da mão de obra do leigo numa sociedade cada vez mais distante dos valores humanos e cristãos, a consciência da missão apostólica do Laicato adquiriu grande relevância, sobretudo porque os leigos constituem a grande maioria da Igreja e, bem mais que o Clero, desfrutam de uma maior penetração no mundo secular. Levedar com o fermento do Evangelho o mundo da família, do trabalho, da educação, do lazer, da política, transformar, enfim, essa nossa sociedade injusta, permissiva, preconceituosa e corrupta numa sociedade sadia onde prevaleçam os valores éticos e o ser humano seja respeitado na sua dignidade de criatura e filho de Deus, é a missão específica do leigo. Clero e Laicato não trabalham isolados. Eles se complementam na missão de evangelizar, sempre em sintonia com o Magistério da Igreja, pois foi ao Papa que Cristo confiou sua Igreja.

Acredito que o primeiro passo para que nós leigos possamos vivenciar com alegria e entusiasmo o Ano do Laicato é reconhecer e valorizar nossa condição de batizados, é ter consciência de que, porque fazemos parte do sacerdócio de Cristo, compete a nós a missão de conduzir o mundo para Deus.

A Igreja precisa – e tem urgência – que passemos de meros assistentes para participantes, que troquemos as arquibancadas pela arena, que desçamos do Tabor para a Planície, onde a vida acontece, onde o bem, a verdade e a justiça lutam contra os inimigos do Evangelho de Jesus. E tal qual os leigos que na Igreja primitiva contribuíram de modo decisivo para a expansão do cristianismo, nós, os leigos do século XXI, precisamos assumir com garra e muita coragem nossa identidade de “sujeito eclesial”, isso é, de alguém que, num mundo insosso, sem rumo, mergulhado em trevas, confiado naquele que prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos, ousa ser “sal e luz”.

 

Zélia Vianna

 

 

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