Alegrem-se no Senhor

2019-01-09---Blog---Mens-Pe-Aderbal-capa

 

“Alegrem-se no Senhor, mais uma vez lhes digo: alegrem-se”! Com esta proposta, São Paulo, em Filipenses 4,1, faz uma trégua na espiritualidade austera do Advento. Que ela seja escutada por todos no decorrer do novo ano iniciado em 1.° de janeiro. A alegria é um dos frutos do Espírito Santo, “é o segredo estupendo do cristão”, como nos lembrou o escritor inglês Chesterton.

Por que esse privilégio? O Cristianismo não nasceu na Cruz e o sofrimento não é exaltado por Jesus como o caminho para uma eternidade feliz? Correto, e não existe nos dois conceitos nenhuma contradição. Ele passou pelas dores e humilhações da Paixão e Morte para chegar à Ressurreição. É exatamente nesta que se fundamenta a alegria plena do bem-aventurado, também recompensado pelas sementes desta virtude que plantou durante sua existência terrena. Cada fiel experimenta essa santa embriaguez na sua passagem por este mundo ambíguo, duvidoso, cheio de surpresas que nem sempre coincidem com as expectativas humanas.

Todavia, o cristão não nasceu para chorar, mas para sorrir, cantar a felicidade e celebrar momentos venturosos. Se a dor entra no cenário dos predestinados à paz, é culpa da fraqueza de Adão, que contaminou com o mal toda a raça humana. Não obstante Jesus tivesse resgatado para nós, com os seus sofrimentos, a alegria da salvação, o ser humano chora dores e frustrações, sentindo-se medroso e inseguro.

Entretanto, o cristão precisa esperar, além dos anos e dos séculos, o que Deus preparou para os que o amam nessa vida. É o mesmo São Paulo que nos adverte sobre isso. Nossa esperança, que é teologal, ensina-nos que os bons momentos do tempo são uma antecipação do que nos é reservado eternamente. As pedras que aparecem no caminho, os espinhos que atravessam a fronte são um lembrete de que não há ressurreição sem sangue, nem parto sem dor.

Se as árvores que os anjos plantam para nós no jardim da Criação não forem podadas, se o terreno em que as sementes são jogadas não for ferido pelo arado, jamais existirão frutos nos celeiros do Pai. As dores do mundo não podem destruir os sonhos dos filhos de Deus. Elas são bálsamos que aliviam as chagas do cotidiano, apontando para o chão de estrelas que os ressuscitados pisarão para sempre.

É um ano plenificado pela alegria da fé, irradiando esperança e entusiasmo, que imagino para cada um de vocês, assíduo leitor deste jornal. Peço que o Espírito Santo presente no coração de todos lhes ensine que “um santo triste é um triste santo”. Encadernem as suas vidas com a ternura do Pai, a misericórdia do Filho e o amor do Espírito.

A todos abençoo com o poder do meu sacerdócio, implorando a proteção constante da Mãe Maria. Feliz 2019!

 

 

Alegrem-se no Senhor

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