Acordem o Mundo!

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A cada dia o Papa Francisco grita mais forte para despertar os cristãos da letargia que paira na atmosfera da fé, sobretudo no laicato, e levá-los à missão de comunicadores da Boa Notícia de Jesus, isto é, à evangelização. Constantemente apela para a presença do Povo de Deus fora dos espaços chamados ‘religiosos’. Ele quer que as comunidades cristãs se mantenham em constante peregrinação, ativas e corajosas para enfrentar a modernidade. No maravilhoso livro “Lidere com humildade”, aponta a liderança como atitude indispensável à construção do Reino de Deus. Na página 128, atinge o máximo da sua proposta, conclamando o rebanho à criatividade: “Acordem o mundo! Sejam testemunhas de uma maneira diferente de fazer as coisas, de agir, de viver! É possível viver de maneira diferente neste mundo”. O seu empenho chegou a um ponto incompatível com a inércia do cristão. A sociedade está pegando fogo e queremos apagá-lo com baldes de água. Está na hora de usarmos mangueiras de grande calibre para que toda a humanidade não pereça em chamas abrasadoras.

O nosso amado líder está esgotando o seu vocabulário, impregnado do dinamismo do Espírito Santo e de todo o seu ardor pastoral. Quando fala para as mais diferenciadas faixas sociais, é insistente em alguns conceitos e palavras-chave. Entre elas não se cansa de apelar para a atualização de projetos e de instrumentos pastorais. Para um tempo novo, evangelizadores renovados pelo conhecimento dos sinais dos tempos e da energia da esperança, a “menor das três” virtudes, no dizer de Peguy, porém infalível na sua capacidade de acionar recursos indispensáveis à transformação da sociedade. Igreja não é museu, pois é constituída por pessoas que vivem em transformação, revestidas de trajes leves e perfumados, porque são alérgicas ao mofo dos velhos armários. O plano de Deus é sempre programa que rejeita o ar confinado das catacumbas. Essas existiram no início do Cristianismo como um meio de defesa contra a violência dos inimigos da Novidade, que foi o Mestre jovem, Jesus de Nazaré.

Além da renovação, do ‘aggiornamento’ tão sonhado por São João XXIII, o Papa Francisco reclama pela presença do cristão no mundo, como “sal da terra” e “fermento na massa”. Os cozinheiros e as donas de casa sabem bem como esses elementos agem: inseridos no meio. Nenhum valor tem o sal se não for colocado na panela, assim como o fermento dentro da massa. Já era Igreja de sacristia. Hoje se exige do cristão uma participação significativa na sociedade. O seu espaço de fé não é apenas o templo; é a periferia ou o centro, a família, a escola, a oficina, o laboratório, o parlamento, o palácio do Planalto, a ONU, onde quer que ele se encontre. Todos esses lugares são sagrados para ele. Aí ele amadurece, santifica-se e prepara o Reino messiânico. Espalha as sementes e enche a sacola de frutos para distribuir com todos os irmãos, principalmente os carentes e fracos.

Paroquianos e paroquianas de são Pedro, leitores do Folha, acordemos para acordar os que andam sonolentos na estrada da fé. O meu abraço de irmão e a minha a minha bênção de pároco.

Padre Aderbal Galvão de Sousa

Acordem o Mundo!

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