A Festa do Reino

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Novembro, último mês do ano litúrgico, no qual percorremos toda a história da salvação. A Igreja escolheu o último domingo para celebrar Cristo, Rei do universo, antecipando a vitória final de Jesus sobre o mal, inclusive sobre a morte. É o momento em que a sua soberania atingirá a verdadeira dimensão, e o número dos eleitos será conhecido definitivamente.

Muitas vezes já nos perguntamos: como será esse Reino, quem o merece e que fazer para atingi-lo? São Paulo responde: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que O amam (1Co 2, 9)”. Jesus ensina no evangelho de São Mateus: “Deixem as crianças e não lhes proíbam de vir a mim, porque o Reino dos céus pertence a elas” (Mt 19, 4). Em Lc 17, 21, discutindo com os fariseus sobre o assunto, Jesus afirma: “O Reino de Deus está no meio de vocês”. Tais intervenções não dizem tudo que gostaríamos de saber, mas, se São Paulo nos desanima quanto à compreensão do mistério, por outro lado, o Mestre ensina que o Reino é das crianças. Algumas conclusões podemos tirar a partir desses versículos bíblicos.

Primeiramente não busquemos muitas informações sobre o Reino porque nossa inteligência limitada não pode entender o absoluto de Deus. O teólogo Rubem Alves é radical: “Um Deus que se compreende, não é grande coisa”. Um balde de água não cabe num copo. Basta confessar a nossa fé: Eu creio e creio alegremente porque já está no meio de nós. Como edificá-lO? Jesus insinuou: Só os pequeninos o conquistarão.

A semente do Reino já existe em nós, lançada pelo Batismo. Naquele dia, o maior da nossa vida temporal, fomos assinalados para sempre como filhos de Deus pela mediação do Senhor Jesus. Como seres inteligentes e livres, cabe-nos a germinação daquela semente que será fruto visível em nossos testemunhos cristãos. Como conseguir isso? Vivendo como criança, cultivando sempre os valores da alma infantil. Primeiramente a simplicidade. A criança é ela mesma, sem maquiagem. Só resplandece o essencial. É transparência e inocência.

Infelizmente esse retrato é difícil de ser reproduzido. Logo cedo ela entra em contato com o mundo no qual as sementes do mal também foram espalhadas. O joio se mistura com o trigo e nela os sinais do anti-Reino aparecem.  Logo se instala a luta entre o velho homem do pecado e a criança pura pela graça. Esse combate será contínuo até o dia da Vitória.

Paroquianas, paroquianos, leitores do Folha, construir o Reino nesse mundo é a nossa missão decorrente do Batismo. Realizemos unidos essa tarefa, lutando agora para que a soberania de Cristo Rei seja a única em toda a terra, antecipando o seu poder e glória no Reino definitivo onde Ele será “tudo em todos” (Cl 3, 11).

Por Padre Aderbal Galvão

A Festa do Reino

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