A Consagração dos Leigos

2018-04-15---Blog---Texto-Zelia-capa

 

“Eu batizo vocês com água. Mas vai chegar alguém mais forte do que eu. Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo”. Essas palavras ditas por João Batista ao povo que o seguia na expectativa da vinda do Messias prometido são bem claras. E é porque não é só com água, mas também no Espírito que somos batizados, que esse primeiro sacramento da Igreja nos liga indissoluvelmente a Cristo e nos insere na comunidade eclesial. Pelo Batismo somos todos mergulhados, enxertados em Cristo, revestidos de Cristo. Identificados com ele, animados pelo mesmo Espírito que O guiou e O conduziu no mundo, teremos condições de viver como Ele viveu e anunciar ao mundo, de forma adequada e atualizada, a mensagem do Evangelho.

A missão dos leigos não vem do Clero, mas de Deus, através do Batismo, que é a fonte de todas as vocações e essa é a razão porque nossa consagração não pode ser considerada de menor valor ou responsabilidade que a do sacerdote. A diferença entre clero e laicato está nas funções. Mas “padre é padre e leigo é leigo”. Ao sacerdote compete governar, ensinar, orientar o povo, alimentá-lo com o pão da Palavra e da Eucaristia. Nós, leigos, não o substituímos, mas vivemos e trabalhamos em união fraterna e comunhão com ele. E embora nossa principal função seja a de ser sal e luz no mundo, embora nosso campo específico de atuação não seja a sacristia, mas lá onde palpita o coração do mundo com suas dores e alegrias, trevas e luzes, somos chamados a realizar diversas tarefas como a de catequista, ministro da Eucaristia, ministro da Palavra, agente das diferentes pastorais, serviço aos pobres e aos doentes… Tal como o casal Áquila e Priscila, que ajudaram Paulo a fundar a comunidade de Corinto, cabe a nós, leigos, colaborar com o padre no governo da Paróquia e auxiliá-lo nas diversas atividades pastorais.

Reconheço que não é fácil anunciar o Cristo Ressuscitado numa sociedade individualista e relativista onde as coisas mudam numa rapidez alucinante e a cada dia aparecem novidades e problemas. Não é fácil, repito, ser sal e luz num mundo que perdeu o gosto pelo bom e belo e acostumou-se a viver na escuridão. Mas essa é a nossa missão, dela não podemos fugir e, para exercê-la, precisamos estar preparados. Afinal, “qual de vós, querendo construir uma torre, não se concentra primeiro e calcula os gastos para ver se tem o suficiente para terminar?” (Lc 14,28). De fato, para que possamos cumprir com solicitude e eficácia a missão que nos cabe, é imprescindível que conheçamos bem a Igreja e sua doutrina e estejamos permanentemente em busca de uma sólida formação humana, moral, teológica e pastoral, vez que não nos é permitido ensinar o que achamos ou queremos, mas o que a Igreja prega e ensina. O tema da formação humana, teológica, eclesiológica e pastoral do leigo é atual e urgente não só para o trabalho na comunidade como para a sociedade de modo geral. Refiro-me não a uma formação ocasional para dar resposta a um determinado trabalho ou missão, mas a uma formação sistemática e permanente.

É grande, nas paróquias, o número de leigos que participam das missas dominicais e dos momentos devocionais e oracionais, contudo nem todos (alegando muitas vezes falta de preparo) assumem as missões régia, profética e sacerdotal recebidas no Batismo. A necessidade de um laicato que reza, estuda e trabalha foi muito bem definida pelo Papa Emérito Bento XVI quando recomendou a um grupo de bispos ucranianos “empenho na formação de um laicato que saiba dar ao mundo as razões de sua fé e possua claros objetivos pastorais”.

 

Nós, católicos, somos privilegiados porque contamos com o Magistério da Igreja, que vem ao nosso encontro, recordando-nos, ensinando-nos, orientando-nos, esclarecendo nossas dúvidas. O Magistério, formado pelos bispos em união com o Papa, goza da assistência do Espírito Santo, tem a responsabilidade de zelar para que a mensagem do Evangelho não seja deturpada e permaneça viva no meio do povo a fim de que desse povo se possa dizer o que disse Lucas das primitivas comunidades cristãs: “A multidão dos fiéis era um só coração e um só alma” (At 4,32). É o Sagrado Magistério que nos dá a certeza de que o que professamos e ensinamos está em perfeita sintonia com o que Jesus ensinou aos Doze. Sem ele, com tanta gente pensando de seu jeito e ansiando para que sua verdade prevaleça, a Igreja seria um antro de desordem e desunião.

Entretanto, embora a formação, o conhecimento e o estudo sejam de fundamental importância, jamais responderemos aos anseios de fraternidade e justiça da sociedade, jamais seremos autênticas testemunhas do Evangelho se abdicarmos do encontro pessoal com o Senhor, se não fizermos a experiência do amor a Deus e ao próximo na vida comunitária.

 

 

 

A Consagração dos Leigos

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